Por vezes pergunto-me quem é a pessoa que habita o meu corpo, que invade os meus pensamentos, que assalta os sentimentos mais intimos que nem eu sei que tenho. Quem é esta pessoa que me dita o rumo a seguir, o melhor caminho a escolher. Não sei quem sou, vivo alegrias que não são minhas, experiências que me são alheias, uma vida em que a protagonista não sou eu, mas alguém que criei na minha própria mente. alguém que admiro muito mais que a mim mesma, alguém que invejo ser mas não consigo.
Muitas vezes, orgulho-me do meu amor próprio, da minha auto-estima. Mas que auto-estima é essa, que me afasta de mim mesma, criando estereótipos de uma pessoa que não sou? E quanto mais me tento encontrar, maior é o estigma de aparência que crio à minha volta. Amo as pessoas que tenho à minha volta, mas será que me amo a mim mesma? Ou que todo este amor próprio não foi apenas uma barreira, uma máscara que construi para que ninguém conseguisse chegar até mim?
E a concclusão que chego é que não me conheço a mim mesma. Tenho em mim multidões!